
Gilberto Gil nasceu em 1942, em Salvador, e passou a infância
em Ituaçu, no sertão da Bahia. Em 1964, com Caetano Veloso,
Gal Costa, Maria Bethânia e Tom Zé, fez o espetáculo Nós,
Por Exemplo, em Salvador. Em 1967, após lançar seu primeiro
LP, criou com Caetano o Tropicalismo.
Ainda menino começou a se interessar pela música das bandas
da cidade e pelo que ouvia no rádio, como Orlando Silva e Luiz Gonzaga.
Aos 9 anos muda-se para Salvador com a irmã, para terminar o colégio,
e começa a aprender acordeom. Durante a juventude intensifica os estudos
musicais, formando aos 18 anos o conjunto Os Desafinados. No fim dos anos
50, João Gilberto se torna uma influência importante para Gil,
que passa a tocar violão.
Na faculdade, faz contato com a música erudita contemporânea
por meio do vanguardista grupo de compositores da Bahia, que incluía
Walter Smétak e Hans Joachim Koellreuter. Em 1962 grava o primeiro
compacto solo ("Povo Petroleiro" e "Coça Coça,
Lacerdinha"), e conhece Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa.
No ano seguinte, com a entrada de Tom Zé no grupo, fazem o show "Nós,
Por Exemplo", no Teatro Vila Velha, em Salvador, que inaugura a carreira
dos quatro artistas. Logo em seguida Gilberto Gil se muda para São
Paulo, onde trabalha na empresa Gessy-Lever durante o dia e freqüenta
bares e casas de show durante a noite. É nessa época que conhece
Chico Buarque, Torquato Neto e Capinam. Começa a se tornar mais famoso
no programa de televisão O Fino da Bossa, comandado por Elis Regina.
Lá apresenta, entre outras, suas composições "Eu
Vim da Bahia" e "Louvação".
Com o sucesso, abandona o emprego na Gessy-Lever e assina contrato com a Philips,
que lança seu primeiro LP, "Louvação", em 1967.
Já radicado no Rio de Janeiro, Gil participa de festivais da Record
e da TV Rio e chega a ter seu próprio programa na TV Excelsior, o Ensaio
Geral. Separado da primeira mulher, passa a viver com a cantora Nana Caymmi,
que defende "Bom Dia" (parceria dos dois) no 3º Festival da
Record, em 1967. No mesmo festival Gil toca "Domingo no Parque"
acompanhado pelos Mutantes, uma das músicas mais impactantes do festival,
classificada em segundo lugar. "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso,
classificada em quarto no mesmo festival, formaria junto com "Domingo
no Parque" o embrião do movimento tropicalista, em boa parte por
causa da inserção de guitarras elétricas em uma música
que não era rock.
Em 1968 lançou o LP "Gilberto Gil", dando início ao
Tropicalismo, e tendo ele e Caetano Veloso como principais figuras. Com uma
proposta de antropofagia de valores culturais estrangeiros baseada em idéias
de Oswald de Andrade, o tropicalismo se concretizou com "Tropicália
ou Panis et Circensis", disco que contou, além de Caetano e Gil,
com Os Mutantes, Torquato Neto, Capinam, Gal Costa, Tom Zé, Nara Leão
e arranjos do maestro Rogério Duprat.
Em 1969 foi preso pela ditadura militar, e lançou a irônica "Aquele
Abraço", uma de suas músicas mais famosas. Em seguida partiu
com Caetano para o exílio na Inglaterra. Voltou em janeiro de 1972,
para um show em que lançou músicas como "Oriente"
e "Back In Bahia", do seu disco seguinte, "Expresso 2222".
Desde o final dos anos 60 Gilberto Gil se consolidou como uma das mais criativas
e influentes personalidades da música brasileira.
Sempre em sintonia com o que ocorre de novo na música mundial, seus
discos são lançados em diversos países e sua carreira
internacional já lhe rendeu inclusive um Grammy na categoria Melhor
Disco de World Music em 1998, pelo álbum "Quanta Ao Vivo".
Em 72, revitalizou a cultura nordestina no LP "Expresso 2222", mais
tarde, reviu a brejeirice sertaneja em "Refazenda". Em 79, o álbum
"Realce" foi um divisor de águas em sua carreira, quando
começou a flertar com o reggae e o pop.
São desta fase ainda os LPs "Luar", "Um Banda Um",
"Extra", "Raça Humana", "Dia Dorim, Noite
Neon" e "O Eterno Deus Mu Dança". Sua atualidade pode
ser percebida por meio de seus discos, caso do pioneiro CD "MTV/Unplugged"
(1994), que lançou uma verdadeira mania de discos acústicos
no Brasil, e de "Tropicalia 2" (ao lado de Caetano Veloso), em que
flerta com o rap na faixa "Haiti". Entre os discos "Quanta"
e sua versão ao vivo, "Quanta Gente Veio Ver", lançou,
sem maior publicidade, "O Sol de Oslo", pelo selo Pau Brasil, ao
lado dos músicos Marlui Miranda, Rodolfo Stroeter, Bugge Wesseltoft
e Toninho Ferragutti.
Em 2000 teve seu maior sucesso radiofônico em vários anos com
o xote "Esperando na Janela", de Targino Gondim, da trilha sonora
do filme "Eu, Tu, Eles", interpretada por Gil. No mesmo ano iniciou
parceria com Milton Nascimento, cristalizada no disco "Gil e Milton".
Dentre seus muitos sucessos em mais de 35 anos de carreira, os maiores foram
"Preciso Aprender a Só Ser", "Refazenda", "Expresso
2222", "Eu Só Quero um Xodó" (Dominguinhos/ Anastácia),
"Maracatu Atômico" (Jorge Mautner/ Nelson Jacobina), "Punk
da Periferia", "Parabolicamará", "Bananeira"
(com João Donato), "Divino Maravilhoso" (com Caetano), "Filhos
de Gandhi", "Haiti" (com Caetano), "Sítio do Pica-pau
Amarelo", "Soy Loco por Ti America" (com Capinam), "Realce",
"Toda Menina Baiana", "Drão", "Se Eu Quiser
Falar com Deus", "Estrela" e muitas outras. Nos anos 80 foi
vereador em Salvador e milita por causas ecológicas no Partido Verde.

Em 1968 lançou o LP "Gilberto Gil",
dando início ao Tropicalismo, e tendo ele e Caetano Veloso como principais
figuras. Com uma proposta de antropofagia de valores culturais estrangeiros
baseada em idéias de Oswald de Andrade, o tropicalismo se concretizou.
